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Czarnikow espera mercado "enxugar" para crescer em trading de energia no Brasil, diz diretor

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Czarnikow espera mercado "enxugar" para crescer em trading de energia no Brasil, diz diretor
Czarnikow espera mercado "enxugar" para crescer em trading de energia no Brasil, diz diretor

Por Leticia Fucuchima

SÃO PAULO, 20 Ago (Reuters) - A Czarnikow está reduzindo o risco de seu portfólio de comercialização de energia elétrica no Brasil e vai aguardar um "enxugamento" do mercado para ampliar seus negócios na área, disse o diretor-geral da empresa no país, Tiago Medeiros, nesta quinta-feira.

O grupo, que tem forte atuação global no mercado de açúcar, está "aumentando bastante a barra de risco" do negócio de energia, disse o executivo, em meio a uma crise entre as empresas brasileiras do segmento de comercialização.

"Hoje o que a gente tem feito é tentado diminuir o risco do portfólio, a gente não tem posição proprietária em energia, nosso negócio é baseado em operação estruturada... A gente está aguardando o mercado enxugar. E vai enxugar mais, a gente acredita", disse Medeiros, durante evento do MegaWhat.

O setor de comercialização de energia no Brasil vive uma crise desde o ano passado, principalmente entre as empresas brasileiras de pequeno e médio porte, com problemas de crédito e alta volatilidade de preços de energia afetando comercializadoras que operavam muito alavancadas.

Isso, por outro lado, abriu uma oportunidade para grandes players globais, como Trafigura, StoneX e Macquarie, mostrou uma reportagem da Reuters.

O diretor-geral da Czarnikow avaliou ainda como "fundamental" a criação de uma bolsa de energia no Brasil, com o estabelecimento de uma contraparte central para as negociações, o que ajudaria a diminuir o risco e aumentar a liquidez das operações. Hoje, o mercado brasileiro de comercialização de energia funciona apenas como balcão, com negociações bilaterais entre os agentes.

Ainda segundo Medeiros, uma "surpresa" negativa que a Czarnikow encontrou desde 2020, quando iniciou suas operações no mercado brasileiro de comercialização de energia elétrica, foi o ambiente litigioso.

"O ambiente litigioso se mostrou muito, muito incerto dependendo do juiz que está julgando, dependendo da tese que o devedor coloca, e algumas decisões foram, assim, realmente muito estranhas. E dentro de casa fica difícil montar um modelo de risco onde você não sabe exatamente quais são as consequências e quais são as regras do jogo para um processo de recuperação de crédito. Mas ok, estamos aprendendo", afirmou.

(Por Letícia Fucuchima; edição de Roberto Samora)

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