Início Mundo Flórida tem planejamento inédito frente ao seu provável pior furacão
Mundo

Flórida tem planejamento inédito frente ao seu provável pior furacão

Envie
Envie

MIAMI — Uma preparação inédita para um risco inédito. Governo e moradores da Flórida aproveitaram até o último momento para se precaver ao furacão Irma, cujos efeitos já devem ser sentidos neste sábado, e que tem potencial para ser o mais devastador da História do estado. Seu rastro de destruição no Caribe, onde deixou 24 mortos, fez albergues ficarem lotados, intensificou a retirada de pessoas e tornou a apreensão o sentimento dominante em Miami, mesmo por parte de quem já está acostumado a este tipo de tempestade.

— Já perdi as contas de quantos furacões enfrentei na vida. Mas tudo indica que este será diferente, não só pela sua força, mas pelo seu tamanho. Estão dizendo que sua passagem, que normalmente é de uns 30 minutos, pode durar horas. Não estava tranquilo em manter minha família na minha casa - afirmou Steve Rohn, de 48 anos, que levou parentes a um abrigo em Pompano Beach, movimento seguido por, ao menos, 100 mil pessoas em todo o estado até a noite desta sexta-feira. — Se as autoridades fizeram desta escola um abrigo, é porque aqui é seguro e vai ter estrutura.

Embora oficialmente Irma tenha sido rebaixado para categoria 4 — com ventos de até 248 km/h —, seu potencial devastador segue enorme, depois de ter batido o recorde como furacão que mais tempo permaneceu como categoria 5: 33 horas. Previsto para tocar o solo americano na manhã deste domingo, seus efeitos devem ser sentidos ainda neste sábado, já que os ventos provocam alterações de marés até 296 quilômetros antes do furacão, que tem diâmetro recorde de 112 quilômetros. E sua força pode crescer à medida que chega à costa, podendo voltar a ter ventos de 270 km/h, e fazer com que ele volte à categoria 5, antes de tocar a Flórida.

— O furacão Irma continua a ser uma ameaça que vai devastar os EUA na Flórida e em alguns estados do Sudeste — afirmou Brock Long, chefe da agência de emergência federal dos EUA, alertando para uma eventual mudança de rota, o que pode levar o olho da tempestade para mais perto da cidade de Ft. Meyers.

No fim da tarde desta sexta-feira a notícia de que o furacão José tinha chegado à categoria 4 e que poderia seguir caminho semelhante ao Irma criou ainda mais apreensão, junto com a notícia de que o Katia, que segue como categoria 2 no México, formando a rara tríade ciclones ativos ao mesmo tempo na região.

A forte comunicação do governo surtiu efeito. Além da procura recorde por albergues - que fez autoridades abrirem novos abrigos no decorrer do dia - e da retirada em massa das pessoas da região afetada, a compra de mantimentos e de materiais para proteger as casas foi planejada e feito sem correria. Autoridades enviaram várias mensagens a celulares e TVs no estado, pedindo que as pessoas não deixassem tudo para a última hora, inclusive incentivando o pedido preventivo de resgate. Até os parques de Orlando, como Universal e Disney, suspenderam suas atividades.

— Este ano a organização do governo e das pessoas está muito melhor, não vimos filas de última hora, ou falta abrupta de produtos. Consegui encher o tanque do meu carro hoje de forma super tranquila, fui ao supermercado e ele estava menos movimentado que um dia normal — afirmou o gaúcho Raphael Wagner, que vive há 18 anos na Flórida.

Companhias aéreas conseguiram colocar mais voos extras e retirar um contingente maior de pessoas da Flórida, ontem, embora permanecesse algum tipo de dificuldade para algumas pessoas deixarem o estado. O Google fechou uma parceria com o governo para informar, em tempo real, as rotas de fugas terrestres mais rápidas para a população. Autoridades pediram para que mais de 5,6 milhões de moradores deixassem a região.

— Estamos ficando sem tempo. Se você está em uma zona de evacuação, precisa ir agora. Esta é uma tempestade catastrófica como o nosso estado nunca viu — alertou o governador da Flórida, Rick Scott.

Em uma declaração em vídeo, o presidente dos EUA, Donald Trump, alertou que Irma era "uma tempestade de potencial destrutivo absolutamente histórico", e exortou a população a prestar atenção às recomendações. Ainda ontem, o Congresso aprovou um projeto que destina US$ 15,25 bilhões (R$ 48 bilhões) em ajuda aos estados afetados pela passagem da depressão tropical Harvey, que causou danos no Texas e na Louisiana.

A carioca Beatriz Gusmão, de 29 anos, está se preparando para seu primeiro furacão. A tensão inicial diminui quando ouve os brasileiros há mais tempo na Flórida, que já passaram por várias tormentas.

— Para mim tudo é novo, e pelo que ouvimos e vemos na TV pode ser muito assustador. Mas as pessoas que moram aqui há muito tempo nos tranquilizam e dão boas dicas, como comprar também gelo, para ajudar a conservar a comida na geladeira caso falte luz, e a preparar a comida sem tempero, que resiste por mais tempo.

Até agora, o Irma atingiu 1,2 milhão de pessoas, mas a cifra poderia subir a 26 milhões. Em Cuba, o furacão provocou nesta sexta-feira intensas chuvas e rajadas de vento na costa Norte, onde mais de um milhão de pessoas foram evacuadas. No Haiti, um homem carregado por um rio foi declarado desaparecido.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?