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Para ativistas, concessões do lobby pró-armas não evitarão massacres

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LAS VEGAS - A tragédia do último domingo em Las Vegas fez com que, pela primeira vez em décadas, republicanos e defensores das armas concordassem com uma nova restrição: a proibição de aceleradores de tiros utilizados por Stephen Paddock na chacina que deixou 58 mortos. Mas ativistas de controle das armas consideram a medida insuficiente e querem mais mudanças para evitar novas tragédias: a polícia americana descobriu que o atirador tinha visado a outros dois grandes festivais de música, um também em Las Vegas e outro em Chicago.

Depois da tragédia, diversos políticos democratas pediram a proibição do chamado , uma extensão de apoio de um fuzil que utiliza o recuo provocado por cada disparo para gerar uma sequência, fazendo que a arma se converta em automática, como uma metralhadora. Então, aos poucos, republicanos foram apoiando a medida até que a poderosa Associação Nacional de Rifles (NRA, na sigla em inglês) aceitasse também a regulação, primeira concessão em décadas.

“A Associação Nacional do Rifle pede a avaliação imediata sobre se esses dispositivos obedecem à lei federal. A NRA acredita que esses dispositivos, concebidos para permitir que os rifles semiautomáticos funcionem como rifles totalmente automáticos, devem estar sujeitos a regulamentos adicionais”, afirmou a associação, em nota.

Mas a medida, que deve ser aprovada pelo Congresso e teria até a simpatia da Casa Branca, como disse o presidente Donald Trump, não agradou a todos.

— Claro que é um passo importante, mas esta proibição apenas impede que armas semiautomáticas funcionem como automáticas, ou seja, restabelece o que está regulamentado, não é um avanço real — afirmou ao GLOBO Annette Magnus-Marquart, diretora-executiva do Instituto para uma Nevada Progressista.

A associação, por exemplo, continua defendendo a legalização dos silenciadores para fuzis, enquanto republicanos rejeitam debater o fim da comercialização livre de armas semiautomáticas, a criação de um cadastro nacional de proprietários de armas ou o aperfeiçoamentos no sistema de checagem de compradores de armamento.

Mas muitos viram a medida como um alento em Las Vegas, ainda marcada por manifestações de lutos em várias partes da cidade, que reabriu a via em frente ao local da tragédia de domingo:

— Sou republicana e contra as armas e por isso digo: o único que pode mudar algo é Trump. Ele tem legitimidade para conversar com os defensores das armas, que se recusam a debater com os democratas — disse Elisabeth Apcar, moradora de Las Vegas. — Espero que todos tenham um pouco de sensatez após esta tragédia terrível e sem sentido.

A tragédia parece ainda não ter surtido efeito. De acordo com o site “Huffington Post”, várias lojas on-line tiveram estoques de aceleradores de tiros esgotados depois que os republicanos começaram a se inclinar pela proibição. Comentários em lojas digitais mostravam que muitos se anteciparam, comprando o equipamento enquanto ele ainda é legal.

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