Por Marisa Taylor
WASHINGTON, 22 Jul (Reuters) - O ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, que foi libertado de uma pena de 45 anos por tráfico de cocaína nos Estados Unidos pelo presidente norte-americano, Donald Trump, disse nesta quarta-feira que buscará o arquivamento das acusações que enfrenta em Honduras quando retornar ao país no domingo.
O caso “foi uma manobra política do governo anterior, mas, neste momento, a maioria das outras pessoas envolvidas nesse julgamento já teve as acusações retiradas. Portanto, espero que seja o mesmo para nós”, disse Hernández à Reuters ao lado de sua esposa, Ana García. Ele reafirma sua inocência e argumenta que o caso teve motivação política.
Hernández enfrenta acusações separadas de fraude e lavagem de dinheiro em Honduras, que não foram afetadas pelo perdão do presidente dos EUA.
Especialistas jurídicos em Honduras estão divididos sobre como será o desfecho de Hernández em relação às acusações locais, depois que as acusações contra o ex-presidente Porfirio Lobo e o ex-secretário de Finanças Wilfredo Cerrato foram retiradas. Eles foram investigados no mesmo processo que Hernández, conhecido como Pandora 2, que investigava uma rede de corrupção e apropriação indébita de recursos públicos.
Hernández, que governou Honduras de 2014 a 2022 — período em que muitos hondurenhos fugiram da violência e da extorsão —, afirmou que já havia solicitado a revogação do mandado de prisão contra ele e espera iniciar o processo judicial no início de agosto.
NOVA LIDERANÇA
O ex-presidente foi extraditado em 2022 para os EUA, onde o Departamento de Justiça o acusou de usar sua autoridade para facilitar a importação de mais de 400 toneladas de cocaína para os EUA. Trump o perdoou no final do ano passado, enquanto Honduras realizava uma disputada eleição presidencial.
Os promotores o acusaram de transformar Honduras em um “narcoestado” ao proteger cartéis em troca de milhões de dólares em propinas, e um júri de Manhattan o considerou culpado em 2024.
Ele havia cumprido menos de dois anos de sua pena quando Trump o perdoou.
A América Latina passou, nos últimos anos, por um realinhamento político, com líderes de direita apoiados por Trump ou alinhados a ele conquistando vitórias eleitorais na Colômbia, Argentina, Bolívia, Peru, Chile, Equador e Honduras.
Trump apoiou o empresário hondurenho e atual presidente Nasry Asfura em novembro, ameaçando cortar o apoio financeiro dos EUA ao pequeno país da América Central caso o líder do Partido Nacional conservador de Hernández perdesse para seus rivais de centro-direita ou de esquerda.
A ação gerou acusações de interferência dos EUA em uma eleição acirrada, marcada por alegações de fraude e manipulação de votos durante uma apuração que durou quase um mês.
“É assim que ele age”, disse Hernández sobre o apoio de Trump a Asfura. “Os governos anteriores dos Estados Unidos agiram de maneira diferente, mas também o fizeram.”
Hernández, que cumpriu um segundo mandato contestado judicialmente, não descartou a possibilidade de se candidatar novamente, observando que, embora isso não estivesse em seus planos imediatos, ele estava preparado para compartilhar sua experiência política com aqueles que estão no poder.
“Temos uma nova liderança em nosso partido; queremos apoiá-la”, disse ele. “Se pudermos ajudar, o faremos.”




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