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Taxas dos DIs sobem após Irã interromper trocas de mensagens com EUA

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Taxas dos DIs sobem após Irã interromper trocas de mensagens com EUA
Taxas dos DIs sobem após Irã interromper trocas de mensagens com EUA

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 1 Jun (Reuters) - As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) fecharam a segunda-feira em alta, em sintonia com o avanço dos rendimentos dos Treasuries no exterior, após o Irã decidir interromper trocas de mensagens com os EUA através de mediadores em função de ataques no Líbano.

Ainda que o presidente dos EUA, Donald Trump, tenha tentado minimizar o pessimismo gerado pela notícia, nesta tarde os rendimentos dos Treasuries e o petróleo seguiam em alta.

No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,035%, em alta de 15 pontos-base ante o ajuste de 13,889% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,01%, com elevação de 3 pontos-base ante o ajuste de 13,976%.

A agência iraniana Tasnim informou pela manhã que a equipe de negociação do Irã estava interrompendo as trocas de mensagens com os EUA por meio de mediadores devido a ataques no Líbano. Conforme a agência, não haverá negociações até que as operações de Israel no Líbano cessem.

Após a notícia -- que reforça as dúvidas sobre um possível acordo de paz entre EUA e Irã -- os rendimentos dos Treasuries ganharam força, renovando máximas do dia, e o petróleo Brent chegou a superar os US$97 o barril.

No Brasil, as taxas dos DIs acompanharam o movimento, passando a exibir altas firmes. Às 16h13, a taxa do DI para janeiro de 2035 atingiu a máxima de 14,050%, em alta de 11 pontos-base.

Durante a tarde, Trump afirmou que as negociações com o Irã continuam em “ritmo acelerado” e que não havia sido informado sobre uma suspensão por parte do Irã. Trump também afirmou que Israel concordou em retirar as tropas que se preparavam para atacar o Hezbollah no sul do Líbano.

Ainda assim, o pessimismo quanto a um possível acordo entre os países prevaleceu no mercado de renda fixa norte-americano.

No Brasil, o cenário conturbado no Oriente Médio reforça as dúvidas sobre o tamanho do ciclo de cortes de juros pelo Banco Central.

Na última quinta-feira -- dado consolidado mais recente -- as opções de Copom negociadas na B3 precificavam 82,5% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base da Selic em junho, contra 13,75% de chance de manutenção da taxa básica em 14,50% e 3,5% de possibilidade de redução de 50 pontos-base.

No entanto, para a decisão seguinte, em agosto, os percentuais eram de 43% para novo corte de 25 pontos-base, 40% para manutenção da Selic e 12% para corte de 50 pontos-base.

No boletim Focus divulgado nesta manhã pelo Banco Central, a mediana das projeções dos economistas do mercado para a Selic em 2026 seguiu em 13,25% e em 2027 permaneceu em 11,25%. Já a inflação projetada para este ano foi de 5,04% para 5,09% e para o próximo ano passou de 4,01% para 4,02%.

No levantamento, a inflação projetada para 2028 variou de 3,65% para 3,66% -- um movimento discreto, mas que chama a atenção por conta do ano, que vem sendo alvo de preocupação dos dirigentes do Banco Central. Desde o início da guerra no Oriente Médio, no fim de fevereiro, a expectativa de inflação para 2028 já subiu de 3,50% para 3,66% no Focus.

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