A associação entre o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, e as milícias do Rio de Janeiro voltou ao centro do debate eleitoral na reta final do segundo turno. A expressão "Flávio miliciano" chegou ao topo dos assuntos em alta no Google Trends na noite de domingo (18), durante e após o debate da Band com o presidente Lula (PT). No encontro, o petista cobrou explicações do senador sobre sua atuação na defesa de um policial militar denunciado pela morte de uma criança no Rio, caso que também foi citado pelo jornal O Estado de S. Paulo em editorial no mês passado.
Nos últimos dias, o tema ganhou novos elementos. Reportagem da revista piauí revelou que Flávio destinou cerca de R$ 200 mil em emendas parlamentares a um instituto na zona oeste do Rio, após pedido de Robson Calixto Fonseca, o "Peixe", condenado pelo assassinato da vereadora Marielle Franco. Já um levantamento do Metrópoles, que cruzou dados do TSE com um mapeamento de áreas de milícia, apontou que o senador foi o mais votado em 268 locais de votação sob controle ou influência desses grupos no primeiro turno, somando mais de 440 mil votos contra 318 mil de Lula.
O histórico também é resgatado por críticos. Em 2007, como deputado estadual, Flávio fez discurso na Alerj relativizando o perigo das milícias, e já foi alvo de questionamentos por ter homenageado com a Medalha Tiradentes o ex-capitão Adriano da Nóbrega, apontado como líder de grupo de matadores, e por ter empregado no gabinete a mãe e a então mulher dele.
O senador nega envolvimento com organizações criminosas e tem reagido judicialmente a acusações do tipo: ele foi ao TSE contra uma postagem que citava "família miliciana" e obteve liminar favorável do ministro André Mendonça. Até a publicação, não foi localizada manifestação específica do candidato sobre o levantamento do Metrópoles.
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