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Jaques Wagner deixa Palácio da Alvorada após reunião com Lula

Estadão

O senador Jaques Wagner (PT-BA) deixou o Palácio da Alvorada após se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) às 16h40 desta quarta-feira, 24. O encontro com Lula durou cerca de duas horas.

Lula discutiu com Wagner o futuro do senador na liderança do Governo no Senado. Na semana passada, Wagner foi alvo de uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal, no âmbito das investigações sobre o escândalo de fraudes bilionárias do Banco Master.

As lideranças do governo são cargos de representação dos interesses do Poder Executivo no Congresso Nacional. Na Câmara, o líder é o deputado Paulo Pimenta (PT-RS). Com a saída de Wagner, o governo deverá designar um substituto para a liderança no Senado.

Na semana passada, Wagner foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, que apura os vínculos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a suposta participação do petista no esquema. A PF suspeita que Wagner tenha recebido um imóvel de R$ 2,5 milhões e pagamentos de propina que totalizaram R$ 3,5 milhões por meio de uma empresa ligada a um de seus familiares.

Em nota, Wagner nega que tenha atuado em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira em seu mandato parlamentar. Sobre o imóvel citado pela PF, o senador declarou que ele não integra o patrimônio do líder do governo.

Lula se irritou com Wagner após o senador ter dito à Band News que falou com o presidente da República após a operação da Polícia Federal. Na ocasião, Wagner disse que Lula prestou apoio a ele.

O Estadão mostrou que a campanha de Lula avaliou que a operação contra Wagner contaminou Lula, por ressuscitar no eleitorado a pecha de corrupção que marcou o PT nos escândalos do mensalão e do petrolão.

O presidente do PT, Edinho Silva, o PT da Bahia e parlamentares da bancada petista defenderam a presunção de inocência de Wagner. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), também defendeu o trânsito em julgado.

Wagner é um dos mais longevos aliados políticos de Lula em Brasília. Os dois são amigos desde a década de 1970. Os dois são oriundos do movimento sindical - Lula, do dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP), e Wagner, do dos trabalhadores da indústria petroquímica da Bahia.

Jaques Wagner foi ministro do Trabalho e das Relações Institucionais no primeiro mandato de Lula. Em 2006, foi eleito governador da Bahia. Em 2010, foi reeleito e conseguiu fazer seu sucessor em 2014: Rui Costa. Wagner foi ministro da Casa Civil da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e chegou a entregar seu cargo em 2016 para que Lula fosse nomeado em seu lugar - o que acabou impedido pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

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