Acompanhado de integrantes de uma banca de advocacia, Stark ponderou à PF que não é leniente, ou seja, não integra o rol de executivos do conglomerado industrial alemão que se dispuseram a colaborar com as investigações das autoridades brasileiras em troca dos benefícios legais que os livrariam de sanções judiciais.
Quatro cidadãos brasileiros (Everton Rheinheimer, Nelson Branco Marchetti, Newton José Leme Duarte e Peter Andreas Gölitz) e dois alemães (Daniel Mischa Leibold e Jan-Malte Hans Jochen Orthmann) são signatários do pacto, além da própria Siemens no Brasil e sua matriz na Alemanha.
O cartel teria operado entre 1998 e 2008 em gestões de governos do PSDB em São Paulo e no Distrito Federal. Segundo os delatores, as violações consistiram em "discussões e reuniões sobre projetos de metrô, trens e sistemas auxiliares com o objetivo de trocar informações e acordar preços a serem cotados".
Vinte empresas citadas como participantes de "diversos contatos e acordos anticompetitivos em licitações" estão sob investigação de inquérito administrativo do Cade e de procedimentos do Ministério Público Estadual e da Procuradoria da República. "Essas empresas costumavam se organizar em consórcios", assinalam os lenientes.
Provas
Os denunciantes concordaram em apontar "todos os fatos e provas relevantes e auxiliar na investigação da infração à ordem econômica, com efeitos no território brasileiro, relativa à conduta anticompetitiva envolvendo projetos de metrô e/ou trens e sistemas auxiliares com o objetivo de obter os benefícios".
Paulo Ricardo Stark, com passagens pela sede e pela filial da Siemens no México, assumiu a presidência da multinacional alemã no Brasil após a saída de Adilson Primo, que caiu há dois anos sob suspeita de desvio de recursos da companhia e remessas para uma conta no paraíso fiscal de Luxemburgo.
À PF, Stark compareceu na condição de testemunha, não de investigado. Reiterou que não tinha muito o que declarar ou colaborar com a investigação e que não pode responder pelas pessoas que supostamente praticaram os atos mencionados. Auditoria. O presidente da Siemens no Brasil afirmou à PF que a companhia continua conduzindo investigações internas e que os resultados dessa auditoria serão reportados ao Ministério Público Federal, ao Cade e à própria PF.
A investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal não ficará restrita a contratos do governo de São Paulo - estão sob análise contratos do Metrô e da CPTM. Na quarta-feira, 21, o MPF distribuiu para o grupo de combate a cartéis dados relativos a contratos da CBTU, vinculada ao Ministério das Cidades, em valor superior a R$ 420 milhões para reforma de trens em Porto Alegre e Belo Horizonte. Nesses casos, o cartel teria sido formado pela Alstom e CAF. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.




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