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Wagner defende que STF retome discussão após eleição e vê 'contaminação eleitoral' na Corte

Estadão

O senador Jaques Wagner (PT-BA) defendeu nesta quarta-feira, 16, que o Supremo Tribunal Federal (STF) deixe para depois das eleições a discussão sobre os procedimentos envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. O petista afirmou ter ficado evidente a influência da disputa eleitoral na atuação dos ministros.

"Ficou claro que está havendo contaminação eleitoral na decisão de alguns ministros daquela Corte. Por mim, parava. Deixa o povo escolher e, depois das eleições, vão lá debater esse tema", afirmou em sabatina à Rádio Metrópole , em Salvador.

O senador avaliou que o pedido de vista apresentado pelo ministro Flávio Dino ajudará a reduzir a tensão entre os integrantes do STF. A sessão desta terça-feira, 15, foi suspensa depois de uma série de discussões entre ministros e terminou sem uma definição sobre a análise conjunta ou separada dos casos de Moraes e Mendonça.

"Ainda bem que o ministro Flávio Dino pediu vista, porque pelo menos suspendeu para baixar a bola, as pessoas se conversarem e poder chegar a uma decisão", disse Wagner.

O petista também criticou o que considera uma exposição seletiva de personagens citados nas investigações. Ele mencionou a revelação de que o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, era investigado desde junho em um procedimento relacionado ao caso Dark Horse.

"Pega quem interessa antes da eleição, mas outros grupos que também estão citados no processo não aparecem. Como é que Flávio Bolsonaro ficou revelado pelo relatório da Polícia Federal, tem uma investigação desde junho, e isso não vem à baila?", questionou.

O parlamentar classificou a sessão do STF como um "espetáculo" prejudicial à democracia e comparou o confronto entre ministros a um programa de televisão. "Debate não é para ser aquele Big Brother que foi ontem, aquele pugilato, um aponta o dedo, outro aponta o dedo. Isso é ruim para a democracia", declarou.

Reeleição e emendas

Na ocasião, Jaques Wagner defendeu ainda o fim da reeleição para cargos do Executivo, a instituição de mandatos de cinco anos e a realização simultânea de eleições municipais e gerais.

"Sou a favor do fim da reeleição, de mandato de cinco anos e da coincidência das eleições. Você vai para a urna de cinco em cinco anos, de vereador a presidente da República", disse.

O senador também criticou o atual modelo de distribuição das emendas parlamentares, cujo volume, segundo ele, ultrapassa R$ 55 bilhões. Wagner afirmou que os recursos passaram a ser utilizados como instrumento de negociação política e disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende tratar do assunto.

"Isso virou, me desculpe, um bordel. Em vez de discutir política e o interesse da população, está se discutindo quem dá mais", afirmou. "O presidente Lula vai se debruçar sobre isso, porque ele é um devoto da democracia. Do jeito que está, estamos corroendo a democracia brasileira", concluiu.

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