Não houve surpresa no tom nem no conteúdo da fala do presidente do Supremo Tribunal Federal. O discurso seguiu o roteiro conhecido: defesa da Constituição, do Estado de Direito, da liberdade de imprensa e da instituição. São valores fundamentais.
A proposta de criação de um Código de Ética é necessária e bem-vinda. Ainda assim, a forma como foi apresentada revela o limite da resposta do STF ao momento atual. O Tribunal não sofre por falta de valores proclamados, mas pela dificuldade de transformar esses valores em prática institucional, especialmente quando surgem investigações sensíveis, suspeitas de conflitos de interesse e críticas ao excesso de protagonismo.
A fala do presidente ocorre em um cenário de desgaste acumulado. Hoje, decisões do Supremo já não são avaliadas apenas pelo conteúdo jurídico, mas também pelo contexto político e simbólico em que são tomadas. Isso não é fruto de má vontade externa, mas consequência de escolhas feitas ao longo do tempo, que ampliaram a exposição da Corte e reduziram sua margem de confiança automática.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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