Início Coluna do Holanda Wilson Lima, legado e história
Coluna do Holanda

Wilson Lima, legado e história

Coluna do Holanda
Por Coluna do Holanda
03/02/2026 às 09h58 — em Coluna do Holanda
Envie
Envie

No balanço final — que se impõe mais pelo tempo acumulado de poder do que por um anúncio formal de despedida —, mantém os traços que o levaram ao governo: comunicação direta com a população, base eleitoral concreta e disposição de permanecer no centro do debate político. Se cumprirá integralmente o mandato ou se optará por uma transição antecipada para novos projetos eleitorais, o tempo dirá. Como sempre, caberá à história separar a crítica circunstancial do julgamento duradouro.

________________________________________________________________________________________________________

Após mais de meia década no centro das decisões relevantes do Amazonas, Wilson Miranda Lima caminha para encerrar um ciclo político que poucos governadores contemporâneos conseguiram sustentar de forma contínua. Não se trata apenas da soma de um mandato integral com parte substancial de um segundo, mas de um período prolongado de exposição permanente, escolhas sob pressão e convivência diária com crises  que testaram os limites da administração pública no Estado, sinalizando que sua passagem pelo Governo do Amazonas já ingressou no terreno do balanço histórico.

A trajetória que o levou ao Palácio do Governo é singular. Egresso do jornalismo televisivo de grande audiência, construiu sua imagem pública como comunicador carismático e de linguagem direta, convertendo visibilidade midiática em capital político. Milhões de amazonenses que antes o reconheciam como apresentador passaram a vê-lo como alternativa eleitoral, movimento que resultou em sua eleição e posterior recondução ao cargo, fora das estruturas tradicionais da política local.

O primeiro mandato foi abruptamente atravessado por uma crise que extrapolava qualquer fronteira regional. A pandemia da Covid-19 atingiu o Amazonas com intensidade singular, expondo fragilidades históricas do sistema de saúde e impondo desafios inéditos à gestão pública. Não havia vacina, nem protocolos consolidados, tampouco respostas científicas imediatas. O governo operava em ambiente de incerteza extrema, sob intensa pressão social.

A crise do oxigênio tornou-se o símbolo mais dramático daquele período. Ainda que responsabilidades administrativas tenham sido discutidas — e continuem a sê-lo —, é inescapável considerar fatores objetivos que agravaram o cenário, como o isolamento geográfico do Estado, a dependência de longas rotas logísticas e uma crise nacional de abastecimento. A realidade amazônica impôs limites severos à capacidade de resposta do poder público.

Coluna do Holanda

Coluna do Holanda

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

Siga-nos no

Google News

Comentários (0)

Deixe seu comentário

Resolva a operação matemática acima
Seja o primeiro a comentar!