Foi difícil chegar a outra margem do rio. Mas chegamos. Ela estava comigo todo esse tempo de travessia. Naufragamos algumas vezes, mas insisti. No outro lado, sabia eu, havia esperança, havia luz e caminhos ainda mais difíceis de percorrer.
Até aquele momento eu estava com ela, seu guarda-costas, seu protetor. Mas e depois? Essa pergunta me angustiava, porque ela teria que caminhar sozinha, enfrentando o demônio que há nos outros e também em nós.
Mas o fato de ter concluído a travessia me deixava feliz. Foi uma longa jornada.
O que posso e devo dizer a ela é que o aforismo "errar é humano" - muito usado para justificar nossas falhas - não se aplica mais a ela.
Como médica, vidas importam mais ainda, vidas de outros em suas mãos não permitem erros.
A menina que tomei em meus braços há 23 anos agora é do mundo e o mundo se regozijirá com ela. Porque é uma Estrela. A mesma que trago em minhas mãos como símbolo de luz.
Parabéns filha.
Estrela é formada pela Universidade Nilton Lins, uma das melhores, se não a melhor instituição de ensino superior do Amazonas.


Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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