A reação do governo brasileiro à decisão dos EUA de declarar CV e PCC como organizações criminosas é, no mínimo, estranha. Estranha também a preocupação do mercado financeiro, como se a presença dessas organizações estivesse na raiz do sistema.
A nota do Palácio do Planalto, nesta sexta-feira, reconhece pela primeira vez que CV e PCC praticam terrorismo, contradizendo o que Lula vinha afirmando nos últimos anos: que a legislação brasileira faz uma distinção entre facções criminosas e terroristas. A nota é um desmentido do próprio governo.
A medida provocou reações do centro financeiro do Brasil e da chamada esquerda, mas a mensagem que transmitiram aos brasileiros foi outra: a de que muita gente faz parte de um jogo do qual é difícil sair.
Esse medo também é revelador. Não é uma possível intervenção americana no Brasil que apavora. Mas o fato de que, finalmente, aparece no horizonte a possibilidade de os cabeças dessas organizações saírem das sombras, revelando a face oculta de muita gente 'nada suspeita'.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



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