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Saiba por que a lei sobre linguagem binária caiu sob a caneta de Dino

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25/02/2026 às 01h23 — em Coluna do Holanda
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  • A Lei nº 6.463/2023, do Amazonas, que proíbe o uso da chamada “linguagem neutra” — ou “dialeto não binário” — nas instituições de ensino públicas e privadas do estado, foi considerada inconstitucional pelo ministro  Flávio Dino, que concluiu que a norma estadual é inválida por tratar de tema que cabe à União.
  • Segundo o ministro, estados não podem legislar sobre conteúdo curricular ou orientações pedagógicas por meio de lei própria.
  • Princípios importantes do ensino, como o pluralismo de ideias e a liberdade metodológica, agora preservadas, ficavam ameaçadas por proibições  que extrapolavam a  competência  do Poder Legislativo estadual.
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A decisão preserva a divisão de competências prevista na Constituição. Ainda assim, o episódio revela a recorrente tentação de tentar resolver disputas culturais por meio de comandos legais, como se nem tudo aquilo que é percebido como problema social ou linguístico pudesse — ou devesse — ser solucionado por lei.

Normas proibitivas exigem cautela redobrada do Legislativo, sobretudo quando incidem sobre condutas ou fenômenos inseridos em dinâmicas sociais e pedagógicas ainda em formação.

Nem tudo que se pretende conter por lei pode — ou deve — ser objeto de interdição, sob pena de a proibição alcançar também processos legítimos de debate e experimentação no ambiente educacional.

Respeitada a decisão do STF, permanece a pergunta: deve o legislador recorrer à lei para fixar limites do que pode ou não ser dito em sala de aula? Quando o Direito é chamado a arbitrar disputas culturais em curso, o risco é deslocar o debate pedagógico para o campo da censura — trocando a mediação educativa pela prescrição legal.

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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