BRASÍLIA — Um relatório da (PF) encontrou 12 ligações “aparentemente” entre o presidente e o coronel aposentado , entre abril e maio de 2017. Lima é amigo de Temer e foi apontado na delação da J&F como intermediário de propina para o presidente.
As informações estão no celular do coronel, foi apreendido em maio, na Operação Patmos, baseada na delação da J&F. Há registros de conversas com números que estão no nome de Temer, mas a PF não garante que o presidente estivesse do outro lado.
“Verificou-se após a análise do material, a existência de várias ligações telefônicas aparentemente entre o coronel Lima e o presidente Michel Temer”, diz o texto.
No dia da operação, policiais federais cumpriram mandados de busca e apreensão na casa de Lima e no escritório da sua empresa, a Argeplan. O inquérito com as informações sobre seu celular foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em novembro.
As ligações ocorreram entre os dia 20 de abril e 13 de maio — a operação foi deflagrada no dia 18 de maio. De acordo com os registros, a ligação mais longa foi de quatro minutos e 45 segundos, enquanto a mais curta foi de sete segundos.
Os investigadores também ressaltaram que Lima tinha, em seu celular, os contatos do empresário Joesley Batista, um dos delatores da J&F; do ex-assessor presidencial José Yunes, apontado como intermediário de propina para o PMDB nas delações da Odebrecht e de Lúcio Funaro; e do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, um dos mais próximos de Temer.
“Os dados analisados demonstram João Baptista Lima Filho como sendo um homem com acesso direto ao presidente Temer, a pessoas importantes ligadas ao Governo, bem como a investigados pela Operação Lava-Jato”, diz o relatório.
O coronel Lima é investigado, ao lado de Temer, no inquérito que apura se o presidente teria favorecido a empresa portuária, localizada em Santos (SP), e outras companhias do setor, por meio da publicação de um decreto de 2017.
, no ano passado, mas ele não compareceu em nenhum dos interrogatórios sob o argumento de que enfrenta problemas de saúde. Em um despacho da semana passada, ele foi intimado mais uma vez.
O inquérito foi aberto após interceptações telefônicas flagrarem conversas entre um diretor da Rodrimar, empresa que atua no porto de Santos, e o ex-deputado e ex-assessor presidencial Rodrigo da Rocha Loures (PMDB), sobre o decreto de Temer.
A Polícia Federal analisou também conversas de texto do coronel, . Em uma delas, com uma interlocutora identificada como Maria Helena, Lima diz: “Amiga, nessas condições, ainda tenho esperança de receber as "gorjetas" que você não me deu”. O relatório ressalta que não foi possível identificar quem é Maria Helena e qual o significado do termo “gorjeta”.
Com outro interlocutor, chamado Miguel de Oliveira, foi registrado a seguinte mensagem,: “Recebeu pouco.Nas minhas contas deveria ter recebido 120 mil. Estão "garfando" o coitado". A PF não deixa claro qual dos dois escreveu o texto, e também não identificou quem é Miguel.
Em outra conversa, uma pessoa identificada como Costa pergunta se “Rodrigo” já havia feito contato com Lima, e recebe uma resposta positiva. Para os investigadores, trata-se de “possivelmente” de Carlos Roberto Costa, sócio do coronel na Argeplan. O texto diz que “é possível” que Rodrigo seja Rodrigo Rocha Loures.
O relatório diz que essas dúvidas podem ser esclarecidas “em eventual interrogatório“.

