Nativo da Amazônia e primo botânico do cacau, o cupuaçu é conhecido na culinária regional há gerações, presente em sucos, sorvetes, licores e doces graças à polpa de sabor ácido e adocicado. Nos últimos anos, porém, a fruta chamou a atenção de pesquisas científicas que vão além do paladar, investigando os compostos presentes na polpa e nas sementes.
Uma revisão de estudos sobre frutas amazônicas, publicada na Revista Fitos — ligada à Fiocruz —, identificou na polpa e nas sementes do cupuaçu compostos como catequina e procianidinas, substâncias com reconhecida atividade antioxidante. Em testes de laboratório, extratos das sementes reduziram a viabilidade de células de câncer colorretal humano cultivadas em placas. O resultado, porém, ficou restrito a células isoladas: não houve testes em animais nem em pessoas, e por isso não existe comprovação de que comer cupuaçu previna ou trate câncer.
A gordura extraída da semente do cupuaçu também desperta interesse fora da cozinha. Estudos da Embrapa mostram que ela pode substituir parte da manteiga de cacau na fabricação de chocolate sem alterar a textura do produto, e registram que a indústria farmacêutica e cosmética já pesquisa seu uso em cremes e outras formulações. A proteína da semente, segundo pesquisa citada pela instituição, chega a ter valor biológico superior ao da proteína do cacau.
Apesar do potencial, cientistas reforçam que o cupuaçu não deve ser tratado como remédio. Assim como ocorre com o cacau, da mesma família botânica, as sementes não são consumidas cruas: passam por fermentação, secagem e torra antes de qualquer uso alimentício. Quem busca se beneficiar da fruta deve priorizar a polpa na alimentação regular e, em caso de dúvida sobre uso em maior quantidade ou com finalidade terapêutica, consultar um médico ou nutricionista — a fruta não substitui diagnóstico nem tratamento médico.
Portal do Holanda
Vídeo
Aviso