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Umari: a fruta amazônica pouco conhecida que a ciência transformou em farinha para celíacos

Pesquisa testou farinhas da semente e da polpa do umari em pão sem glúten; uso tradicional como remédio segue sem estudo de segurança.

Umari: a fruta amazônica pouco conhecida que a ciência transformou em farinha para celíacos
Foto: Marri Smith / Pexels

O umari, fruto da árvore Poraqueiba sericea, nativa da porção oeste e central da Amazônia, ainda é desconhecido da maioria dos brasileiros, mas faz parte do dia a dia de comunidades ribeirinhas e indígenas do Alto Rio Negro e da região de Iquitos, no Peru. A polpa oleosa e de sabor marcante costuma ser consumida crua ou fermentada, acompanhada de farinha de mandioca, cozida com arroz ou transformada em uma espécie de manteiga para passar no pão. Do mesocarpo também se extrai um óleo usado em frituras, enquanto a semente ralada entra na alimentação tradicional do povo Baniwa. Cada árvore produz, em média, entre 250 e 350 frutos por ano, cultivados principalmente em pomares domésticos.

Uma pesquisa de universidades federais testou farinhas feitas a partir da polpa, da semente e do resíduo do umari como ingrediente extra em misturas de pão de forma sem glúten, pensadas para quem tem doença celíaca. Os resultados mostraram que as farinhas aumentaram o teor de ácido oleico — um tipo de graxa monoinsaturada considerada benéfica — para algo entre 73% e 79% do perfil lipídico, elevaram o magnésio e reduziram o sódio em comparação com a mistura sem o fruto. A farinha do resíduo teve o maior teor de proteína, próximo de 10%, enquanto a mistura com polpa liofilizada concentrou mais gordura total.

Apesar do resultado promissor na bancada de testes, o próprio estudo trata apenas do uso do umari como ingrediente alimentar em um produto de panificação — não há, até agora, nenhuma pesquisa clínica que avalie o fruto como tratamento ou cura de qualquer doença. O suco extraído da semente, usado tradicionalmente como remédio por algumas comunidades amazônicas, nunca passou por teste científico de segurança ou eficácia.

Por isso, especialistas reforçam que nenhum alimento ou fruto amazônico substitui orientação médica. Na ausência de estudos sobre dose segura e possíveis contraindicações do umari, o uso do fruto com finalidade medicinal — além do consumo alimentar já tradicional na região — deve ser evitado sem acompanhamento de um profissional de saúde, especialmente por gestantes, crianças e pessoas com doenças crônicas.

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