Início Cura pela Natureza Mulateiro: a casca amazônica usada contra manchas de pele que a ciência começa a testar em laboratório
Cura pela Natureza

Mulateiro: a casca amazônica usada contra manchas de pele que a ciência começa a testar em laboratório

Pesquisa da Ufam encontrou atividade antioxidante na casca da árvore, tradicionalmente usada na Amazônia para cuidados com a pele; ainda não há teste em humanos nem dose segura definida.

Mulateiro: a casca amazônica usada contra manchas de pele que a ciência começa a testar em laboratório
Casca de árvore na floresta amazônica, de onde é extraído o mulateiro. Foto: Wyxina Tresse/Pexels

O mulateiro ( Calycophyllum spruceanum ) é uma árvore comum em várzeas e matas de terra firme da Amazônia, com casca lisa e acinzentada usada há gerações por povos indígenas, caboclos e ribeirinhos em banhos e infusões voltados ao cuidado da pele. A planta carrega até uma lenda regional: contaria-se que as guerreiras Amazonas tomavam banho com a infusão da casca em noites de lua cheia — um relato folclórico, sem comprovação histórica, mas que ajudou a difundir a fama da árvore como "cosmético da floresta".

Em laboratório, pesquisa conduzida na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) identificou que o extrato da casca inibe a tirosinase, enzima que participa da produção de melanina na pele — efeito semelhante ao do ácido kójico, usado em despigmentantes industriais. A atividade estaria ligada ao alto potencial antioxidante do mulateiro e à presença de ácidos elágico e gálico, compostos também associados, em testes de bancada, à redução da ação da colagenase e da elastase, enzimas que degradam colágeno e elastina na pele.

Apesar do uso tradicional contra manchas, melasma e para hidratação, não há, até agora, nenhum estudo em animais ou ensaio clínico controlado em humanos que confirme esses benefícios na prática. O relato mais citado de melhora na pele após o uso de sabonete com mulateiro é anedótico, sem acompanhamento científico — o tipo de evidência mais fraca que existe, incapaz de provar que o efeito realmente vem da planta e não de outros fatores.

Por isso, extrato de mulateiro não deve ser tratado como tratamento dermatológico comprovado e não substitui orientação médica. Quem quiser experimentar cosméticos à base da casca deve testar antes em uma pequena área da pele, evitar o uso sobre feridas abertas ou peles muito sensíveis e, principalmente, procurar um dermatologista antes de usá-lo para tratar manchas ou melasma — a automedicação da pele pode mascarar outras condições que precisam de diagnóstico médico.

Siga-nos no

Google News

Receba o Boletim do Dia direto no seu e-mail, todo dia.

Comentários (0)

Deixe seu comentário

Resolva a operação matemática acima
Seja o primeiro a comentar!