O camu-camu é uma fruta pequena, vermelho-arroxeada e extremamente ácida, que nasce em arbustos adaptados às margens alagáveis dos rios do Amazonas, como igapós e várzeas. Por ser quase impossível comer ao natural de tão azeda, ela costuma chegar à mesa em forma de suco, sorvete, picolé, geleia e cápsulas, além de ser usada em cosméticos. Nos últimos anos, instituições de pesquisa da região, como a Embrapa e o Inpa, vêm trabalhando no melhoramento genético da planta para aumentar sua produtividade e facilitar o cultivo em escala comercial no Amazonas.
O que torna o camu-camu famoso entre pesquisadores é a concentração de vitamina C em sua polpa: estudos já registraram valores que chegam a quase 3.000 miligramas por 100 gramas de fruta, o que pode representar de 30 a 60 vezes mais vitamina C do que uma laranja contém na mesma quantidade. Essa é uma das maiores concentrações já medidas em uma fruta no mundo, e é esse traço — comprovado em laboratório — que sustenta o interesse científico e comercial pela espécie, da indústria de suplementos à de cosméticos antioxidantes.
O que a ciência ainda não confirma é o salto do laboratório para a promessa popular de "cura tudo". Embora a vitamina C tenha papel relevante no sistema imunológico e ação antioxidante bem descrita, não há evidência robusta em humanos de que o consumo de camu-camu previna gripes, resfriados ou doenças crônicas de forma significativa além do que já se sabe sobre a própria vitamina C. Boa parte dos estudos disponíveis foi feita em laboratório ou em modelos animais, e ainda faltam pesquisas clínicas maiores para confirmar benefícios específicos em pessoas.
O camu-camu não substitui orientação médica nem nutricional. Doses concentradas de vitamina C, como as encontradas em extratos e suplementos, podem causar desconforto estomacal, diarreia e azia em algumas pessoas, e quem já teve pedra nos rins relacionada a oxalato deve ter atenção especial, já que o excesso do nutriente é convertido em oxalato pelo organismo. Antes de incluir extratos concentrados na rotina, o recomendado é consultar um médico ou nutricionista, especialmente para quem tem doenças renais, faz uso de outros suplementos ou está em tratamento de saúde.
Aviso