Começa por um mal-entendido: o que sai da copaíba não é óleo essencial, é um óleo-resina guardado em canais dentro do tronco. Árvores do gênero Copaifera ocorrem em boa parte da Amazônia, e o extrativista tira o líquido furando o caule com trado e conduzindo o produto por um cano — sem derrubar a árvore, que pode ser visitada de novo anos depois. A imagem do tronco que jorra, porém, não se sustenta nos levantamentos de campo. Num inventário feito no Acre por pesquisadores da pesquisa agropecuária federal, 621 copaíbas foram mapeadas, 246 chegaram a ser perfuradas e apenas 69 deram óleo — pouco menos de três em cada dez. A média das produtivas ficou em 3,1 litros por árvore, com casos de 21 litros e outros de meros 10 mililitros. Em uma floresta nacional no Pará, sete de dez árvores acompanhadas não produziram nada no período observado.
Essa loteria se repete dentro do vidro. O óleo-resina é uma mistura de sesquiterpenos, a parte volátil, e de ácidos diterpênicos, a parte pesada, e a proporção muda conforme a espécie, o solo, a época do ano e até a árvore individual. O betacariofileno, composto mais estudado da copaíba, apareceu entre 3% e 37% em amostras comerciais brasileiras analisadas por cromatografia — uma variação de mais de dez vezes entre produtos vendidos com o mesmo nome. O ácido copálico, presente em todas as espécies examinadas, virou o marcador químico usado justamente para dizer se aquilo é mesmo copaíba. Na prática, não existe "a" copaíba: existem óleos muito diferentes entre si.
O que a ciência já mostrou é real, mas mais estreito do que promete o boca a boca. Em laboratório, o óleo-resina inibiu bactérias como Escherichia coli e Staphylococcus aureus e agiu contra parasitas causadores de leishmaniose, em testes com células. Em animais, acelerou a cicatrização de feridas e mostrou efeito protetor no estômago. Em humanos, o dado mais sólido é um ensaio clínico randomizado e duplo-cego publicado em 2021, com 32 pacientes que concluíram o estudo, no qual o óleo aplicado sobre cicatriz cirúrgica melhorou cor e textura frente ao placebo. Do outro lado da conta, uma revisão internacional avaliou o conjunto das evidências para dor e inflamação em artrite e concluiu que elas são insuficientes para julgar benefício ou risco; não há ensaio clínico em humanos que sustente qualquer uso contra câncer, apenas experimentos em células e animais; e a pomada de copaíba que constava da primeira edição do Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira foi retirada da segunda edição. A planta segue na lista oficial de espécies de interesse do SUS, o que significa prioridade de pesquisa — e não aprovação de tratamento.
O risco mais concreto para quem compra é a fraude. Uma análise de 12 amostras vendidas no comércio encontrou adulteração em nove; em seis delas o produto tinha sido misturado com óleo de soja, e três eram misturas de soja e copaíba. Outro estudo, com oito amostras de laboratórios brasileiros, achou adulterantes em três, chegando a 73% do conteúdo. Some-se a isso a orientação de cautela de guias universitários e de instituições de pesquisa em plantas medicinais: uso interno não é recomendado na gravidez, na amamentação e para quem tem problemas gástricos, e doses altas provocam náusea, vômito e diarreia com cólica. Na pele, o óleo velho e oxidado pode sensibilizar. Nada disso substitui orientação médica: quem tem doença crônica, faz uso contínuo de remédio ou pretende tomar copaíba por conta própria deve conversar antes com médico ou farmacêutico.



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