Todo 23 de outubro o Brasil celebra o Dia do Aviador, data que faz referência ao voo do 14-Bis, realizado por Santos Dumont em Paris, em 23 de outubro de 1906, considerado um dos marcos que consagraram o brasileiro como pioneiro da aviação mundial. A Força Aérea Brasileira (FAB) usa a data para homenagear pilotos civis e militares, mas em nenhum lugar do país essa homenagem tem um significado tão prático quanto no Amazonas, estado onde boa parte dos 62 municípios só é alcançada por via aérea ou fluvial.
Manaus é sede do CINDACTA IV, órgão da FAB responsável por controlar o espaço aéreo de uma área que passa de 5 milhões de quilômetros quadrados — maior do que a França e a Alemanha somadas —, com fronteira direta com seis países sul-americanos. A unidade reúne cerca de 1.500 militares e civis, mantém 24 postos de controle distribuídos pela região e acompanha a movimentação de mais de 300 mil aeronaves por ano, um volume que mostra o quanto o céu amazônico é, na prática, uma rodovia essencial.
Parte dessa rotina é sustentada pelo Esquadrão Arara, baseado em Manaus, que opera aeronaves C-105 Amazonas em missões de transporte aerologístico e evacuação aeromédica, levando socorro e suprimentos a comunidades ribeirinhas e indígenas sem acesso a estradas. O próprio aeroporto internacional de Manaus leva o nome de Eduardo Gomes, brigadeiro que integrou a revolta do Forte de Copacabana em 1922, ajudou a consolidar a aviação militar brasileira nas décadas seguintes e disputou a Presidência da República em 1945 e 1950.
Para quem vive em Manaus e no interior do Amazonas, o Dia do Aviador carrega um peso que vai além do simbolismo histórico: é um lembrete de que, numa região onde o rio pode levar dias e a estrada muitas vezes nem existe, o avião continua sendo, para milhares de famílias, a diferença entre isolamento e acesso a saúde, educação e abastecimento.
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