Um advogado criminalista de 36 anos foi sequestrado e mantido em cárcere privado por integrantes de uma facção criminosa em Cubatão, no litoral de São Paulo. Ele teria sido atraído por uma emboscada, sob o pretexto de um novo caso a defender, e levado a uma comunidade da região, onde ficou preso por cerca de seis horas, entre a noite e a madrugada.
Segundo relatos, cerca de 30 criminosos participaram presencialmente do chamado "tribunal do crime", enquanto outros acompanharam a sessão por videochamada. O motivo do sequestro teria sido uma ação trabalhista movida pelo advogado em nome de um cliente contra um suposto integrante da facção. Durante o cárcere, a vítima teve o celular tomado, foi ameaçada e pressionada a revelar o endereço do cliente e a desistir do processo judicial.
Para conseguir sair com vida, o advogado teria concordado em abandonar a ação. Após ser libertado, no entanto, ele procurou o Ministério Público e denunciou o caso, o que deu origem a uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em parceria com a Polícia Militar. A ofensiva mirou a atuação de tribunais paralelos usados por organizações criminosas para impor decisões à força.
A operação cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em municípios de São Paulo e de Santa Catarina. Um suspeito foi preso, outro morreu durante uma ação policial, e o apontado mandante do sequestro segue foragido. O caso segue sob investigação das autoridades.




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