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A culpa é do delegado

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Por Holanda
22/10/2026 23h09 — em Coluna do Holanda

O caso Benício : Ao investigar,  o policial precisa ser imparcial. O resultado da investigação é a base de um processo criminal.  Por isso,  a prudência e a contenção são necessárias, até para não provocar reações violentas da opinião pública.

A credibilidade das instituições depende não apenas da firmeza com que investigam, mas também da disposição de submeter suas afirmações ao exame dos fatos.

A cautela exigida de uma investigação criminal torna-se ainda mais necessária quando a morte de uma criança provoca comoção pública.

No caso de Benício Xavier de Freitas, de seis anos, a defesa da médica Juliana Brasil Santos obteve um elemento favorável: a perícia oficial não encontrou sinais de adulteração digital em um vídeo anteriormente apontado pela polícia como fraudado.

Embora não comprove falha no sistema hospitalar nem afaste as acusações, o resultado reforça a necessidade de distinguir suspeitas de fatos demonstrados.

A morte de Benício comove a sociedade e exige respostas. Mas a indignação legítima não pode antecipar responsabilidades.

A investigação deve esclarecer os fatos, identificar as condutas e estabelecer a participação de cada envolvido.

Afirmações feitas sob o impacto de uma tragédia, quando ainda dependem de comprovação, exigem prudência, sobretudo diante da repercussão que podem alcançar.

A acusação de homicídio sob a tese de dolo eventual torna essa cautela indispensável.

O médico não sai de casa para matar, mas para cuidar e salvar vidas. Isso não o isenta de responsabilidade por erros ou crimes. Entretanto, uma prescrição equivocada, mesmo seguida de morte, não demonstra, por si só, a aceitação consciente do risco de produzi-la.

Entre a culpa profissional e o dolo eventual existe uma distinção que somente as provas podem esclarecer.

O laudo não absolve a médica nem invalida a investigação. Apenas estabelece que não foram encontrados vestígios de edição no vídeo examinado, sem esclarecer as circunstâncias da gravação ou a causa das alterações observadas na tela. É uma conclusão limitada, mas relevante.

A credibilidade das instituições depende não apenas da firmeza com que investigam, mas também da disposição de submeter suas afirmações ao exame dos fatos.

Perícia não encontra sinais de edição em vídeo da defesa de Juliana Brasil e contrasta com declarações do delegado
Amazonas

Perícia não encontra sinais de edição em vídeo da defesa de Juliana Brasil e contrasta com declarações do delegado

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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