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O veto do TSE ao uso de igrejas como palanque eleitoral

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Por Holanda
22/05/2026 22h35 — em Coluna do Holanda
  • O voto e a liberdade são fundamentos da democracia. Um garante a escolha; o outro assegura a expressão. Ambos precisam ser preservados com equilíbrio. A recente decisão do Tribunal Superior Eleitoral reforça exatamente esse ponto: é preciso proteger a igualdade da disputa sem sufocar a liberdade de crença e manifestação.

O Brasil é plural. A fé faz parte da vida pública. O que não pode ocorrer é a substituição do debate político por apelos espirituais direcionados ao voto. Entre convicção religiosa e campanha eleitoral existe uma linha. A Justiça estabelece parâmetros. A cidadania deve vigiar seu cumprimento.

O TSE foi claro ao afirmar que igrejas não podem ser transformadas em plataformas eleitorais estruturadas. A fé não pode se converter em instrumento organizado de campanha.

Isso não significa impedir opinião ou expressão individual.

Líderes religiosos, como qualquer cidadão, têm direito a posicionamento. O limite surge quando a estrutura religiosa passa a funcionar como engrenagem de mobilização eleitoral com potencial de desequilibrar a disputa.

A decisão reafirma que não existe punição automática por presença em culto ou palavra de apoio. Para haver sanção, é necessário demonstrar uso indevido de poder, recursos ou influência com impacto concreto na igualdade do pleito.

Essa exigência protege tanto a liberdade religiosa quanto o próprio processo eleitoral.

Mas há um ponto que vai além do Judiciário.

A democracia não se sustenta apenas por decisões de tribunais. O cidadão é o maior fiscal desses valores.

Cabe à sociedade distinguir entre manifestação legítima e instrumentalização indevida da fé.

Quando a religião é utilizada como cabo eleitoral organizado, o prejuízo não é apenas jurídico — é institucional.

Voto e liberdade caminham juntos — e ambos só se mantêm íntegros quando são exercidos com responsabilidade.

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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