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Piquiá: a fruta que só vira comida depois de cozida e já reduziu dor e inflamação em testes com animais

Casca grossa, polpa amarelada e óleo usado para fritar peixe: conheça a fruta amazônica que a ciência começou a estudar contra dor e inflamação, mas ainda só em laboratório e em animais.

Piquiá: a fruta que só vira comida depois de cozida e já reduziu dor e inflamação em testes com animais
Fruta tropical da Amazônia: o piquiá só é consumido depois de cozido

O piquiazeiro é uma árvore que pode passar dos 40 metros de altura na floresta amazônica, e seu fruto, o piquiá, é formado por cerca de dois terços de casca grossa que precisa ser cozida antes de qualquer consumo — ao contrário do pequi do cerrado, seu parente mais conhecido, o piquiá não guarda espinhos ao redor do caroço. Depois de cozida, a polpa amarelada costuma ser raspada e misturada à farinha, comida com arroz e carne ou batida com açúcar, enquanto o óleo extraído serve para fritar peixe e tem fama de substituir a banha na cozinha ribeirinha. A safra se concentra entre fevereiro e abril, e a recomendação popular é escolher frutos no ponto certo, para evitar um sabor amargo demais.

Na medicina popular amazônica, o óleo do piquiá é aplicado tradicionalmente contra dor muscular, reumatismo e problemas respiratórios como asma e bronquite, enquanto a casca é usada contra frieiras. Povos indígenas também recorrem ao fruto e à casca para tratar tumores externos, filariose e micoses, e a polpa é tida popularmente como fonte de vitamina A para a saúde da visão.

Em laboratório, extratos da casca do piquiá mostraram forte capacidade de neutralizar radicais livres, e testes com camundongos indicaram que esses mesmos extratos reduziram a dor e a inflamação em diferentes modelos experimentais, como contorções abdominais e edema de pata. Pesquisadores associam esse efeito a compostos fenólicos, como o ácido gálico, com indícios de que a via opioide do organismo esteja envolvida na resposta. Extratos da planta também inibiram bactérias como a Staphylococcus aureus e, em um experimento isolado, mais de 60% do parasita causador da malária em testes de laboratório — resultados promissores, mas obtidos só em tubos de ensaio e animais, sem nenhum teste clínico em humanos até agora.

A mesma casca e o fruto, preparados de outra forma, já serviram tradicionalmente como veneno de peixe por causa de substâncias chamadas saponinas, o que reforça que o consumo seguro do piquiá se limita à polpa e ao óleo depois do preparo correto, nunca à casca crua. Nutricionistas também alertam que o alto teor de gordura da fruta pode causar náusea, vômito ou diarreia em pessoas sem vesícula biliar ou com esteatose hepática (gordura no fígado). Nenhuma dessas informações substitui orientação médica, e quem tiver alguma condição de saúde pré-existente deve consultar um profissional antes de incluir o piquiá na dieta com fins terapêuticos.

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