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Pedra-ume-caá: a planta chamada de "insulina vegetal" que intriga a ciência contra o diabetes, mas acende alerta de toxicidade

Planta amazônica usada em chá contra diabetes já foi testada em laboratório e em animais, mas ainda sem dose segura definida para humanos.

Pedra-ume-caá: a planta chamada de "insulina vegetal" que intriga a ciência contra o diabetes, mas acende alerta de toxicidade
Folhas de planta usada em chás da medicina popular amazônica (imagem ilustrativa)

Conhecida popularmente como pedra-ume-caá, camboim, cambuí ou guamirim, uma planta típica de áreas de capoeira na Amazônia carrega também o apelido de "insulina vegetal". O nome é usado para diversas espécies dos gêneros Myrcia e Eugenia, o que torna comum a confusão entre plantas diferentes vendidas com o mesmo rótulo nos mercados populares do Norte do país, incluindo o Amazonas. Há gerações, suas folhas são preparadas em chá para tratar diabetes e hemorragias na medicina popular, além de banhos usados em problemas ginecológicos.

Pesquisas de universidades brasileiras já avançaram sobre o potencial da planta. Um estudo da Universidade Federal do Amazonas identificou compostos como catequina, miricitrina, quercitrina e ácidos quínico e gálico em extratos das folhas, usados até como marcadores para verificar se um produto vendido como pedra-ume-caá é realmente autêntico. Em testes de laboratório, parte dos extratos inibiu uma enzima ligada à absorção de carboidratos, mas não outras duas enzimas digestivas avaliadas. Pesquisadores japoneses, em estudo anterior, já haviam isolado duas substâncias da planta associadas a esse efeito de redução da glicose.

Em camundongos diabéticos, o uso prolongado de alguns extratos por 28 dias reduziu a glicemia de forma parecida à de um medicamento de referência contra diabetes. O mesmo estudo, porém, trouxe um alerta importante: doses mais altas de um dos extratos provocaram morte precoce dos animais, possivelmente ligada a um aumento do estresse oxidativo no fígado, sem sinal de que o tratamento tenha freado os danos do diabetes nos roedores.

Diante disso, a própria ciência trata a planta como pouco estudada, sem dose segura definida para uso em pessoas e sem substituir o tratamento médico do diabetes. Quem usa pedra-ume-caá deve ficar atento à confusão entre espécies vendidas com o mesmo nome popular, evitar o uso prolongado sem orientação profissional e, sobretudo, nunca abandonar a medicação prescrita por um médico.

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