Livre das especulações sobre candidatura, o prefeito Artur Neto experimenta na política o seu momento “Coca-Cola”, com a operação de limpeza do Centro Histórico. Ele é quase unanimidade na Câmara Municipal e na Assembleia Legislativa, onde situação e oposição são só elogios. O momento especial que o prefeito vive pode ser medido pelo discurso do decano Belarmino Lins, na semana passada: “nós todos estamos satisfeitos com a administração do prefeito Artur Neto”.
AMAZONINO FAZ SUSPENSE

Mesmo sabendo que para concorrer ao Senado no grupo da base aliada é uma tarefa quase impossível, o ex-prefeito Amazonino Mendes mantém viva a especulação de que poderá concorrer ao cargo nas eleições de outubro. Articulando de um lado com o senador Eduardo Braga e do outro com o governador Omar Aziz, o Negão faz o que sabe fazer melhor: criar suspense pra ver a reação dos adversários. Aos amigos de total confiança garante que está fora da disputa, até por recomendação médica. Mas manda assessor espalhar boatos de que “foi convidado” e está analisando o desafio. Quem sabe acaba aceitando.
@@@
Lembra, assim, a esperteza de Tancredo Neves, quando foi interventor em Minas e um fazendeiro compadre seu foi pedir-lhe que o indicasse à Secretaria de Agricultura. O baixinho disse-lhe: “Olhe, a vaga já está ocupada, mas o senhor quando sair diz pra imprensa que foi convidado, mas não aceitou”.
VITRINE PARA O PREFEITO
No desfile da Escola de Samba Unidos do Alvorada, no sábado, o homenageado era o lutador amazonense da UFC José Aldo, mas o povão se concentrou mesmo no prefeito Artur Neto, que desfilou ao lado do esportista. Aldo teve de se contentar em ser a “vitrine” para exposição do prefeito.
SOB FOGO CRUZADO
A Zona Franca de Manaus ganhou aliados no Congresso, como o PSD comandado por Gilberto Kassab e o governador Omar Aziz, mas continua a enfrentar o tiroteio implacável da mídia paulista. A Folha de S. Paulo, o Valor Econômico e Exame, questionam a renúncia de pouco mais de 23 bilhões de reais para a ZFM, mas propositalmente esquecem de fazer o mea culpa pelos 170 bilhões de renúncia fiscal concedidos a setores industriais, ilegalmente.
@@@
Essa enorme renúncia é ilegal por que incentivos fiscais só podem ser concedidos com base na Constituição, como é o caso da Zona Franca.
OBSTÁCULOS PARA A OPOSIÇÃO
Está difícil construir uma frente de oposição no Amazonas, pelo menos no primeiro turno das eleições deste ano. Se houver segundo turno, aí a coisa pode se concretizar. Na avaliação do pré-candidato a governador Marco Antonio Chico Preto, fora da aliança governista, a verticalização imposta pelos dois principais candidatos de oposição à presidente Dilma Rousseff, o senador Aécio Neves e o governador Eduardo Campos, impede uma aliança única desde o início. Se Dilma poderá ter dois palanques no Amazonas, do outro lado é cada um por si.


Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

Aviso