O futuro presidente Lula meteu o dedo na MP que seria baixada a quatro dias de sua posse, renovando a desoneração dos combustíveis por 90 dias. Não tinha essa autonomia. Ainda não é presidente, mas o ministro Paulo Guedes cedeu. A MP vai valer por 30 dias e depois os preços explodem. O novo governo quer arrecadar mais para tapar o buraco causado pela implosão do teto de gastos. Quem vai pagar essa conta é você.
Quem gostou mesmo foi o “chamado mercado”. As bolsas empinaram e o otimismo voltou a dominar o sistema financeiro nesta quarta-feira.
Com o fim da desoneração, que deve ocorrer no final de janeiro, a gasolina vai para as alturas, turbinando a inflação e gerando mais pobres e famintos.
A alegação esdrúxula é que a desoneração da gasolina, por exemplo, beneficia apenas a classe média. Este é um raciocínio excludente que revela a pobreza do pensamento da esquerda brasileira, fundado no conceito de que pobre é pobre, e deve se contentar com o bolsa família. É a nova versão de curral eleitoral. Quanto mais pobre o brasileiro, melhor para o PT.
Há uma outra questão relacionada à desoneração dos combustíveis. Os governos estaduais vão elevar em janeiro a alíquota do ICMS sobre produtos considerados essenciais, entre eles a gasolina e a energia.
A pergunta que fica é como ficarão os projetos aprovados pelas Assembleias Legislativas, de autoria dos governadores, inclusive o do Amazonas, que elevaram neste mês a alíquota de vários impostos, alegando perda de arrecadação? Serão revogados ? Ou teremos impostos em cascata, com a receita em alta, mas produzindo pobreza e aumentando o fosso entre ricos e pobres?
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Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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